


Amanhecer no PCA-------- (
Fato histórico e “Pré-histórico” do P.C.A., Gilda e o P.C.A
Junho de 1998
Retirado de um bilhete que Gilda Mourão escreveu a seu marido Milton Mourão, momentos antes da viagem dos mineiros, de ônibus, do P.C.A., participaram da Assembléia e da Reunião do Conselho Deliberativo, em junho de 1998.
Nota: Dr. Milton autorizou sua reprodução.
Eis o bilhete:
Milton querido:
A exposição artística da Fundação Guignard e o evento artístico da Universidade (UFMG), dos quais devo participar não permitirão que viaje com você e os demais excelentes companheiros e companheiras, sócios mineiros do P.C.A.
Lamento muito e espero que, em janeiro, querendo Deus, eu possa, com você e com alguns filhos ou netos, estar presente à temporada (2ª), super movimentada e disputada. Os Jogos Olímpicos desta temporada serão os 27 ou 28?
A viagem é agradabilíssima. A chegada do ônibus ao P.C.A. é tão alegre! Você “puxa” o hino, todos cantam e esperando a caravana os (Diretores Modenesi, Eliana, comandante e esposa) os primeiros funcionários. (Marlene e Daylton, sempre filmando).
Alegres e muito afáveis, não faltando Sr. José (o português) e funcionários, sempre amigos.
Isso me trás a memória alguns acontecimentos que tanto marcaram as nossas vidas. Certo? Vou dividir em 03 períodos, mas muito resumidamente.
( Janeiro 1951)
Não existia nem no papel e nem nas cabeças de Carlos Lustosa e Petronio Ramos a idéia do Clube, mas eu e você tivemos uma ligação com que viria ser o P.C.A.
Após nosso casamento (23/12/1950) teve inicio a viagem de núpcias no hotel São Moritz, (entre Teresópolis e Petrópolis) seguindo para o parque hotel de Nova Friburgo. Uma terceira parada, no (Parque Hotel de Araruama). Em todos os lugares, muitos casais, como nós, em lua de mel.
No Parque Hotel (chalé n°1), começamos nossas incursões pelas praias da região. O primeiro contato foi com a praia em frente ao hotel. O fundo dela era lodoso, pouco agradável. Resolvemos então, com um casal de Belo Horizonte, procurar outros locais mais adiante.
O carro Hudson, que você comprara 3 anos na Califórnia, nos ajudou a fazer a pesquisa calmamente. Depois de ver 4 ou 5 “Spots”, encontramos uma praia em frente a casa do fazendeiro Dr. Armando. A Água da lagoa tinha cor muito verde e transparente, permitindo-nos ver o fundo muito limpo e transparente, com algumas pedras muito pequenas. Passamos a freqüenta-la, nas outras vezes, acompanhados por uma meia dúzia de casais (de BH e outros lugares). Quando se referiam a mesma diziam eles “a Praia de Gilda”. Nada mais erronio porque foi 4 que a vimos. Talvez meu encantamento com a casinha no alto e mais a diante deve ter despertado em mim o desejo de possui-la para nos dois. Você me disse que a casa era de um médico Ortopedista do Rio (Hospital dos Servidores do Estado) seu conhecido. Seu nome era Lutero Vargas, filho do Presidente Getúlio Vargas.
Ha fatos ou conhecidências que são difíceis de explicar (subconsciente ou parapsicologico). Digo isto porque em 1960 (Setembro), você como membro do Conselho Administrativo do Banco Crédito Pessoal, assim como Flávio Gutierrez e Willer Magalhães Pinto, teria que aprovar ou não o empréstimo para os incorporadores. Teria que aprovar ou não o empréstimo para o PCA para Carlos Lustosa e Petrônio, conclusão dos apartamentos do Clube (estatutos feitos por Dr. Pedro Aleixo). O empréstimo foi feito, graças ao alto conceito do Carlos Lustosa (seu ex companheiro do voley do Minas Tênis Clube). Naquela ocasião você comprou 2 cotas, números 24 e 25.
O fato é que a casinha que me encantou em 1951 seria a sede social do PCA. Reza? Desejo grande?...
Segundo período (1962 – 1981)
Aconselho do Carlos Lustosa, com restrições de sua esposa, nossa elegante e fina amiga Heloísa Aleixo Lustosa, resolvemos passar pelo P.C.A. no primeiro ano de funcionamento. Heloísa estava certa ao dizer que não havia condições de habitabilidade. Apartamentos incompletos, luz fraca e instável – tínhamos que usar velas que nos davam. Não havia chuveiros. Nossos banhos eram de água de um poço freático, a água chegando de um chuveirão acionado manualmente por uma bomba de longa lavanca. Pipas e mais pipas de água chegavam para encher os pequenos depósitos, multidão de mosquitos, capim alto. Para se ter leite, para nosso uso, (nos e os nossos filhos) devíamos cedinho atravessar a Rod. Amaral Peixoto e ir ao curral do Sr. Armando, um Sr, muito simples e agradável. Levávamos uma lata, para encher de leite, que desse para 24 horas.
No primeiro ano, achamos melhor seguir o conselho de seu amigo Nilton M. Veloso, Presidente regional do SESC em BH e nos hospedamos em um simples e confortável hotel da instituição, em Macaé. Boa temporada. Apanhamos conchas em praias, como Cavaleiros, Mar do Norte e até da ilha dos Ingleses.
No ano seguinte já viemos para o PCA. Os apartamentos eram simples existindo muitas falhas, compensadas pelas boas companhias presentes. A essa altura, disse nos o vendedor e cobrador de cotas do PCA, muitos quotistas deixaram de pagar e venderam suas cotas etc....
Existia uma divergência grande entre os incorporadores e muitos associados saíram (número grande). Uns oito anos depois, veio do Rio um excelente grupo composto por Daylton e Marlene, Irene e seu marido, Ivan e Mariinha, Elísio Araújo e Joana, Oswaldo e sua esposa, João Horário e seu irmão e sua esposa Mariasinha, Jorge Ramos (irmão de Marlene e Irene) Pedro e Alaíde. O grupo era muito unido, de relacionamento facílimo, com muita extroversão alegria e manifesta criatividade.
Aproximaram-se dos nossos grupos e deram nova vida às nossas atividades. Conjuntos passeios de carro especialmente (Praia do Pêro e da Prainha e etc..). Diversões dentro e fora da sede, disputas esportivas (foi aí que se iniciaram os Jogos Olímpicos) e o hino que você fez para o PCA. Entre as disputas divertidas e alegres, destaco os jogos de futebol entre casadas e solteiras etc..
No fim dos anos 70, Dr. João Câncio Fernandes Filho levou a BH José Fernandes Filho que foi então indicado pelos 23 mineiros, naquela ação chamada Alfredo Bressane e outros, houve muitos desentendimentos e muitas confusões, mas, para ser sincera (a frase sua) ”fez” o trabalho para não passar a posse do clube para os amigos do Petronio, inclusive afastar, com revolver na mão, o oficial de justiça que se apresentara.
A Eleição de Daylton em 1973 marginalizando e afastando o José Fernandes, foi na realidade o grande passo para a pacificação. Sócios opositores e ligados ao J. Fernandes se afastaram e os caminhos começaram a ser aplainados, conseguindo-se (gestão do Ivan) transformar o loteamento existente (oficialmente) em uma ; única área, manobra que significou ganho de mais de 2.000 metros quadrados.
Terceiro período (a partir de 1981)
Daylton foi eleito novamente presidente da Diretoria e você, Presidente do Conselho Deliberativo. Embora suspeita, você foi um grande colaborador e sincero amigo do Daylton. Ele fez um ousado, necessário, transparente e muito bem planejado trabalho de reforma dos apartamentos afastando muitos defeitos existentes e trazendo muito conforto para os sócios e sua família (Um fator dificultava sua realização); o custo extra. Fui testemunha do trabalho pertinaz que você desenvolveu em BH reunindo com freqüência na sala de reuniões da Imobiliária do Silvio Ximenes sócios e mais sócios. Finalmente, o projeto foi aprovado e 6 meses depois em viagem de ônibus já estavam lá os sócios mineiros par vermos concluído o primeiro dos 32 apartamentos. Que mudança! Foi entusiasmador! Os Diretores Presidentes e outros da Diretoria se sucediam, sempre com a presença atuante e a liderança de Daylton. Ressalta-se o trabalho jurídico desenvolvido gratuitamente por nosso querido Antônio Vasconcelos e Dr. José Felipe da Rocha (Niterói). Sua esposa Lavinia era muito minha amiga. O advogado da parte contraria, Dr. Povoas participava sempre das assembléias e nos recebia cavalheirescamente em sua casa vizinha do Clube. Houve finalmente, por decisão do Conselho Deliberativo, a formação de uma comissão para comprar as duas ou três milhares de cotas de Carlos Lustosa (Construtora Belo Horizonte). Tudo feito. O Clube passou, oficialmente as nossas mãos. Uma verdadeira família. As vésperas das eleições para Diretoria, Daylton indicava nomes de sua confiança e estes eram sempre aprovados aqui em BH, sempre por unanimidade.
O ultimo, nosso magnifico Presidente Modenesi, aqui era pouco conhecido. Você que havia convivido com ele e Daylton teve, de pronto, muito boa impressão do Modenesi. Foi eleito e já está ha alguns anos na diretoria (presidência), realizando um ótimo trabalho, com grande visão administrativa, bastante criatividade e muito apoiado por essa excelente distinta e discreta esposa Eliane. Manifestava, sobre tudo, muito amor pelo Clube.
A todos que comparecerem as reuniões do Conselho e da Assembléia meus cumprimentos carinhosos. Nosso clube é uma admirável família.
(“Puxa, escrevi muito”)! Em vez de um bilhete, um verdadeiro folhetim. Tenho razão? Acho que sim, Amo como você e nossos filhos, o P.C.A.
Beijos de sua,
DJÉ
